Agregar Valor

A disponibilidade para renovação ou novas outorgas de água comum é cada vez mais debatida e disputada pelos Comitês de Bacias Hidrográficas. Há dez anos, fiz uma previsão que 2016 seria o início do ano crítico de novas outorgas e provável falta de água, no eixo Rio-São Paulo.

O verão deste ano, sem chuvas e com umidade relativa do ar baixa, faz com que o debate de uma política de água potável seja mais do que urgente e necessário por parte de nossos governantes.

Por outro lado, o nosso setor tem que compreender o verdadeiro papel que a sociedade e as autoridades esperam de nós, e devemos estar atentos às mudanças de paradigmas e tendências de mercado no denominado setor de bebidas frias. Embora nosso produto seja alimento, infelizmente o fisco não entende dessa forma.

A edição de 06/02/2014 da Folha de S.Paulo noticia que a Coca-Cola irá revolucionar o mercado de refrigerantes, propiciando aos consumidores a fabricação do seu próprio refrigerante em casa, por meio de processo semelhante e de sucesso ao dos cafés em cápsulas.

Entendo que isso nos dá a certeza de termos que assumir a cadeia de valor urgentemente, porque não haverá refrigerante ou café em cápsula, sem água de qualidade.

A distribuição hoje é, em sua esmagadora maioria, terceirizada, e não gerenciamos e/ou administramos o verdadeiro valor da nossa água mineral.

Temos o ônus financeiro e tributário do recolhimento do ICMS Substituto, e ainda por cima, não somos responsáveis pela precificação de nossa água mineral para o comércio varejista. No caso do garrafão de 20 litros a situação é calamitosa, pois o distribuidor define as regras da precificação ao consumidor final, e ainda quer impor o preço de compra nas fontes de água mineral.

Faz parte de nossos objetivos para este ano a luta incessante de reivindicar, junto aos governos estaduais, a inclusão da água mineral na cesta básica, e reduzir a carga tributária para 7%.

Não podemos esquecer que o estado de Santa Catarina já fez essa correção de tributação, e devemos ter como foco esse objetivo, e não o que está acontecendo em alguns estados brasileiros, onde se pensa primeiro em fazer reserva de mercado. Somos uma República Federativa e temos que ter igualdade de competição.

A água mineral natural é um alimento indispensável à saúde da população brasileira. Ela chega onde a água de rede pública não consegue ir, e não podemos pagar mais impostos do que as bebidas diet, light e açucaradas, denominadas “bebidas frias” pelo fisco nacional.

Está mais do que na hora de assumirmos definitivamente a cadeia de valor de nosso setor. O cenário é promissor e requer de nossa parte atitude de coragem para fazê-lo.

Tenho a certeza de que todos nós vamos refletir sobre essa necessidade, pois quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

A vitória é a arte de prosseguir, quando os outros desistem.

Carlos Alberto Lancia
Geólogo e Presidente

Água mineral natural na copa do mundo

Já estamos em clima de Copa do Mundo. E como já havíamos mencionado em diversas ocasiões, o Mundial representa uma oportunidade ímpar para o nosso setor.

Primeiro, pelo fato de o evento voltar a ser realizado no Brasil após mais de seis décadas, portanto, uma experiência e desafio inéditos para a indústria de águas minerais.

E segundo, porque os segmentos de alimentos e bebidas estão, sem dúvida, entre os que serão mais beneficiados pela Copa do Mundo e, nesse contexto, a água mineral, enfim, ganha especial destaque.

Por se tratar de um alimento associado a hábitos mais saudáveis, o que é uma tendência crescente no mundo todo, o produto vem, já há algum tempo, conquistando a preferência dos consumidores em relação às bebidas açucaradas. Vale lembrar ainda, que o nosso produto tem uma forte ligação com o espírito do evento: a prática esportiva.

Foi-se o tempo em que comitivas estrangeiras que vinham ao Brasil traziam sua própria água para consumo, pelo temor do risco de contaminação. Hoje, temos um mercado forte, qualificado, competitivo, disputado por players internacionais. Mas é importante lembrar que os milhares de turistas que chegam para o Mundial serão consumidores, sobretudo, de garrafas práticas e fáceis de transportar, como as de 300 ml e 500 ml, com tampa esportiva. Também podemos incluir as embalagens de 1 litro neste rol das mais requisitadas. Ou seja, temos que estar preparados para demandas específicas.

Outro quesito importantíssimo para atender a esse perfil de consumidor é, com certeza, a certificação NSF, que avaliza a segurança e qualidade da água mineral, de acordo com critérios internacionais.

Nesse sentido, lembro que a Abinam encaminhou à direção da FIFA no país a relação das 15 empresas de águas minerais brasileiras certificadas pelo órgão internacional, para subsidiar os serviços de informações prestados aos visitantes. Leiam também matéria na pág. 31.

Assim, termino ressaltando que a experiência do Mundial será de grande valia para o setor, não só no que diz respeito ao balanço da eficácia de estratégias e ações de marketing, mas também no que se refere à importância da certificação do nosso produto, tendo em vista, sobretudo, que teremos logo mais outro grande evento global: as Olimpíadas de 2016.

Sucesso a todos e que o Brasil conquiste o título de hexacampeão!

Carlos Alberto Lancia
Geólogo e Presidente

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